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terça-feira, 16 de agosto de 2011

Estudantes cadê? Vamos a luta!

Realmente quando temos determinações e acreditamos com imensa sinceridade que podemos transformar o "dado que nos é imposto a aceitarmos", nos encaminhamos para uma luta de persistências, possíveis perdas, consequências e ao mesmo tempo conquistas.  Mas acima de tudo, estamos construindo possibilidades que são acessíveis dentro de nossas limitações, e cada um contribui de forma positiva para alimentar, o fogo e o desejo que impera em nossa vontade de mudanças e construções...

O que nos motiva, é a convicção de nosso papel politico. Somos cidadãos e futuros educadores que exercem uma postura no mundo. Tal postura pede a todo instante um posicionamento. Acreditar em sonhos não é utopia na crença de algo não existente, em que idealizamos como mundo inacessível e inteligível. Acredito na utopia como possibilidade de construir condições para as amplas perspectivas, sem se imporem dogmáticas, ditadoras e centralizadas. Não é sonho de uma "sociedade ideal", se isto fosse viável a vida perderia a graça, não haveria o movimento dos encontros e desencontros.

Todos estes momentos atuais em que passa nossa sociedade no cenário político, econômico, mudança exacerbada de valores, tradições e cultura nos ajudam a pensar e construir uma sociedade que busca pensar todas estas questões e não marginalizá-las e excomungá-las como um câncer que precisa ser tratado.  Nossa postura é pensar, refletir, por a mão na massa. Vamos colocar "uma ou várias" interrogações onde nos colocam pontos finais...

Somos uma juventude que não pode se omitir, somos permeados pelas conquistas dos que vieram antes de nós, e lutamos pelos atuais e para os que vêm posteriores... Entramos na Universidade e não devemos nos fechar em seus muros. Não necessitamos nem devemos aceitar em sermos catequisados a lá moda passiva da “formação e diploma” ou em templos acadêmicos de seguidores discentes a concepções centralistas ou a discursos dogmáticos de nível docente (sabemos que há muito em nosso meio...).  Lutamos sim para que seus muros e "templos acadêmicos" sejam derrubados e em seu lugar abra passagem para o acesso de toda sociedade, que diz ser democrática independente de cor, raça, opção sexual, ideologia. São estes autores necessários e convocados à luta de uma universidade cada vez mais pública, de qualidade e pela sua interiorização.

Sabemos o  quanto a Educação esteve restrita a apenas um grupo privilegiado e "escolhido", as massas proletárias alimentavam e alimentam  a engrenagem da ordem capitalista com sua força produtiva. Educar se tornou sinônimo de "profissionalização", não estou contrário a está concepção, porém acredito que mais que isto, ela é uma arma forte e poderosa. Se não fosse assim não teríamos por traz dos ditadores da história humana e moderna uma concepção "amansativa" a cerca do homem e que refletiu nos campos da educação. Vivemos perto de nossa realidade isto, no regime da ditadura, quando a filosofia, sociologia foram retiradas dos Currículos escolares, pensar sempre foi colocado para poucos.

A seleção natural concebida por C. Darwin (permita-me está colocação) reside em nossas relações. Somos seletivos. Nossa sociedade é seletiva e a Educação (escola-ensino-professores-investimentos) entra em crise porque agora não nos cabe seleção dos privilegiados ou não privilegiados, as portas antes fechadas agora se abrem, mas muitos ainda tendem a querer fechá-las.

Os estudantes no Chile e em outros países, como a classe de professores, MST, e outras minorias de lutas a favor de direito a uma educação de qualidade e compromissada, nos tornam exemplos de que pode haver sim coletividade...

 Não lutamos por igualdade no sentido de identidade, lutamos por respeito e diálogo com as diferenças, igualdade é formativa, modelamento, e o humano ele se faz e refaz a partir de suas diferenciações... Igualdade sim por oportunidades, condições de acesso, mas sem méritos, daí se reconfigura todas as estruturas deste nosso sistema o que me parece um pouco ainda distante, porém nossa luta já começa a ecoar e ao mesmo tempo deixam de  ser apenas ecos e falas, para serem atuações.

Temos em nossas consciências que a luta não se faz por reivindicações apenas por bibliotecas, menos filas, laboratórios e movimento contra greves de funcionários ou professores etc., estes pontos são pertinentes, mas pensemos, além disto, para isto, se me entendem...

 Somos estudantes de uma Universidade nova, sabemos que o novo causa incomodo e desconforto, somos acostumados a nos estruturar em alicerces prontos. Mas colocar as pedras e construir alicerces exigem realmente muito empenho e esforço daqueles dispostos a construir, e construir caros amigos exigem remover as velhas muralhas que prendem nossas “ideologias” e não sustenta-las com escorias pra não vim abaixo...  Estou escrevendo isto como um estudante ansioso por todo o movimento que passa a nossa sociedade nos diversos segmentos. Relembro de entrar na universidade no ano de 2008 e está fazendo um curso de graduação em licenciatura e ter claro o objetivo de Educador, mas como se torna complexo o S ER EDUCADOR. Já aprendir em outros momentos que o processo da aprendizagem é doloroso e realmente exige de nós uma postura, e qual é a nossa, a minha ou a sua postura?

Não deixemos nos acarretar pela mercadoria acadêmica que nos devora a todo instante pelos Lattes da vida a fora (dependemos disso pra sobreviver neste meio, eu sei), mas lutemos fielmente por aquilo que um dia “construíram” ou “objetivaram” como possibilidade de desenvolvimento humano: Educação. Muito além dos muros de nossa mesquinhez, individualismos.

Estou em um Centro de Formação de Professores e em que perspectiva mesmo somos “educados”? Está na hora de dialogarmos realmente sem posições ressentidas, não estamos em templos oratórios, nem me percebo como uma ovelha neste grande rebanho. Cadê a classe dos professores, cadê os estudantes, cadê os técnicos, cadê a comunidade? cadê o dialogo? Cadê a luta coletiva?  Estamos dançando ao som da fragmentação, cada uma na sua, nos seus artigos, nas suas palestras, em seus gabinetes, em seus postos de trabalho e em seus DAs... E viva a lei da produtividade e da passividade!!!


Atenciosamente:

Alex Marques
Estudante de Filosofia/Membro do Coletivo "AÊ"
Universidade Federal do Recôncavo da Bahia

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